Gianni Infantino passou o fim de semana em Punta Cana, e não em Zurique, e quis que o mundo soubesse porquê.
Numa entrevista em vídeo divulgada pela FIFA após uma reunião com membros da União Caribenha de Futebol no domingo, o presidente da FIFA reformulou a crise que assola a sua presidência como uma luta entre as federações ricas do futebol e as mais pequenas.
«Esta é a nossa tarefa, este é o nosso trabalho. Queremos fazer crescer o futebol em cada um dos nossos 211 países», afirmou Infantino.
«Alguns, infelizmente, não precisam disso e não querem que os outros cresçam, mas temos de reduzir esta diferença entre os países muito grandes e todos os outros», disse na reunião da CFU.
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Acrescentou que a FIFA tinha de «encontrar investimentos para todos os outros, oportunidades para todos os outros».
O cenário era a mensagem. A CFU é uma sub-região da CONCACAF, cujo presidente, Victor Montagliani, tinha enviado um e-mail a Infantino na sexta-feira, pedindo-lhe que não comparecesse na Under-14 Challenge Series da região.
Montagliani, que também é vice-presidente da FIFA, escreveu que, «tendo em conta a crise de governação que envolve a FIFA em resultado da sua controversa proposta FIFA Forward Enterprise, os meios de comunicação social irão focar-se nesta situação», e pediu-lhe para não prejudicar «a natureza técnica desta importante atividade de desenvolvimento juvenil».
Infantino foi na mesma.
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A votação que pode pôr fim à sua presidência
A UEFA, a AFC e a CONCACAF estão a discutir se devem desencadear uma votação de censura antes de Infantino se candidatar à reeleição no Congresso da FIFA em março de 2027. Segundo os estatutos da FIFA, cerca de um quinto das 211 associações-membro, aproximadamente 42 federações, tem de apresentar um pedido escrito para forçar um Congresso Extraordinário no prazo de três meses.
As confederações não decidem o voto das suas associações-membro. Cada um dos 211 membros da FIFA vota individualmente segundo a regra «um membro, um voto», e a oposição pública das três lideranças das confederações é uma posição, não uma contagem de bloco. É precisamente essa diferença que Infantino tentava alargar em Punta Cana. A CAF, a confederação africana, já o apoiou, tal como seis associações árabes, incluindo o Qatar e Marrocos, segundo a mesma reportagem da Al Jazeera.
Porque está na defensiva
O ponto de ignição da crise é o colapso do projeto FIFA Forward Enterprise, um plano para vender uma participação de 20 por cento numa nova subsidiária comercial a investidores privados. O veículo foi avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares e teria entregado até 40 milhões de dólares a cada federação-membro. Infantino retirou o plano a 31 de julho, depois da oposição das três confederações, e o diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, saiu mais tarde em agosto, depois de ter criticado publicamente o projeto.
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, afastou a possibilidade de se candidatar à presidência da FIFA, mas espera que surja um candidato.
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«Uma opção é que ele perceba que não tem o apoio, o apoio político da comunidade do futebol, o apoio político dos adeptos, o apoio político dos jogadores», disse Ceferin.
O prazo para as candidaturas à votação de março de 2027 é 18 de novembro. Entre agora e essa data, Infantino tem de convencer um número suficiente das federações mais pequenas de que vale a pena mantê-lo. O vídeo de Punta Cana foi o argumento inicial.
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