Infantino's escape route runs through a procedure, not a promise

A via de fuga de Infantino passa por um procedimento, não por uma promessa

A Europa quer Gianni Infantino fora dentro de semanas, mas a América do Sul apresentou o confronto como uma questão sobre o regulamento da FIFA, e só isso pode ser…

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A intervenção mais decisiva da crise da FIFA não veio de Nyon nem de Zurique. Veio de Luque, onde a CONMEBOL declarou a 6 de agosto que não iria apoiar «qualquer ação ou procedimento» que se afastasse do quadro institucional da FIFA. A América do Sul não defendeu Infantino a título pessoal. Defendeu o regulamento.

A distinção é importante porque a UEFA está a tentar contornar esse regulamento. As 55 associações do futebol europeu já votaram por unanimidade o boicote às competições da FIFA devido ao plano, agora arquivado, de Infantino para vender participações minoritárias no Mundial a investidores privados, e exigiram-lhe que se demita ou enfrente uma moção de censura.

O que os estatutos da FIFA realmente permitem

Segundo as próprias regras da FIFA, só o Congresso pode destituir o presidente, e são precisas pelo menos 43 associações-membro, um quinto das 211, para assinar um pedido formal que despolete um Congresso extraordinário no qual possa ser apresentada uma moção de destituição. Só a UEFA tem votos suficientes para ultrapassar esse limiar. Ainda assim, destituir efetivamente Infantino exigiria uma maioria simples dos votos expressos, cerca de 106 votos.

O comunicado da CONMEBOL visava exatamente esse procedimento. O organismo sul-americano avisou que «quando esses princípios são postos de lado, o futebol perde» e afirmou que o quadro institucional existe como uma garantia para todos os 211 membros. Lido à luz do ultimato da UEFA, é um sinal para as federações mais pequenas de que o local correto para julgar Infantino é uma votação já agendada, e não um Congresso extraordinário convocado à pressa.

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África alinha-se, a América Latina cerra fileiras

Um dia depois do comunicado da CONMEBOL, o Comité Executivo da CAF reconfirmou por unanimidade o seu apoio a Infantino. O presidente da CAF, Patrice Motsepe, apresentou a sua própria posição em termos pessoais.

«Apoio pessoalmente Gianni Infantino. Não é apenas um bom amigo. É um amigo leal. É leal a África.»

As 54 associações africanas formam o maior bloco isolado da FIFA. Não votam em conjunto, mas o rumo político da confederação está agora traçado. A federação mexicana, rompendo com a oposição da CONCACAF a Infantino, emitiu um comunicado a ecoar a CONMEBOL quase palavra por palavra: a FMF afirmou que «não iria reconhecer nem aprovar qualquer processo convocado fora desse quadro institucional».

A AFA argentina manifestou apoio inequívoco ao presidente da FIFA. O padrão é consistente: as associações que continuam a apoiar Infantino falam de procedimento, não de política.

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A aritmética de Rabat

O próximo Congresso ordinário da FIFA, e a respetiva eleição presidencial, está marcado para Rabat, a 18 de março de 2027. O prazo para apresentar candidaturas encerra a 18 de novembro deste ano.

A aritmética desse dia é a aritmética que conta. A UEFA detém 55 votos e rompeu publicamente com Infantino. A CONCACAF (41) e a AFC (47) rejeitaram ambas o seu plano comercial. É uma oposição teórica de até 143 votos, muito acima da maioria necessária para o destituir, caso cada associação seguisse a linha da sua confederação.

Nada na história da FIFA indica que o farão. As confederações não decidem o voto das suas associações-membro, e cada uma das 211 associações vota de forma independente e por escrutínio secreto. A federação norueguesa já se afastou do consenso europeu na direção oposta, com a sua presidente Lise Klaveness a pedir a demissão de Infantino por considerar que lhe falta «a confiança institucional necessária para governar a FIFA de forma estável». A Croácia, a Inglaterra e a Albânia retiraram cartas de apoio anteriores.

Onde a pressão se cruza com o procedimento

Para Infantino, o cálculo é simples: sobreviver ao verão, manter a CAF e a CONMEBOL do seu lado publicamente, e a votação chegará no seu próprio calendário. A UEFA fixou duas condições para levantar o boicote à FIFA: a retirada do plano comercial e uma garantia de que este nunca regressará. A FIFA cumpriu a primeira. Não cumpriu a segunda.

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O primeiro teste sério a este braço-de-ferro chega a 5 de setembro, quando a Polónia recebe o Mundial Feminino de Sub-20 da FIFA. Se a UEFA mantiver a linha do boicote, a crise vai continuar a agravar-se durante o outono. Se não o fizer, a votação de março em Rabat parecerá cada vez mais o único local onde a presidência pode ser resolvida.

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