O Comité Executivo da Confederação Africana de Futebol afirmou a 6 de agosto que tinha reconfirmado por unanimidade o seu apoio ao presidente da FIFA, Gianni Infantino. O jornalista de investigação Romain Molina, ao serviço do Sport News Africa, colocou entretanto um número nessa unanimidade: quatro.
Os quatro que se pronunciaram publicamente antes ou por volta da reunião foram o presidente da CAF, Patrice Motsepe, o primeiro vice-presidente Fouzi Lekjaa, de Marrocos, Ahmed Yahya, da Mauritânia, e Souleiman Waberi, do Jibuti. O resto do ExCo, segundo a reportagem de Molina, manteve o silêncio. Kurt Okraku, presidente da Federação do Gana e vice-presidente da CAF, foi uma das ausências mais notórias.
Molina noticiou que dirigentes dentro da confederação manifestaram, em privado, surpresa com a distância entre a formulação do comunicado da CAF e o que efetivamente aconteceu na sala. Vários dos que se esperava que se pronunciassem a favor de Infantino não o fizeram.
Porquê o silêncio, e não a dissidência
O silêncio tem mais do que uma causa. Molina aponta para o receio do Comité de Ética da FIFA, que pode suspender dirigentes de federações, e para a dependência financeira que liga as associações mais pequenas ao dinheiro do desenvolvimento da FIFA. Uma rutura pública sai cara. Uma posição de esperar para ver não.
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O próprio Motsepe deu a entender esse cálculo uma semana após a reunião. A 13 de agosto, o presidente da CAF disse aos jornalistas que a presidência da FIFA deve ser decidida nas urnas, e não por comunicados continentais.
«As eleições realizam-se no próximo ano. Devemos permitir que esse processo continue e deixar que os 211 membros decidam. Se houver candidatos que queiram concorrer contra ele, que apresentem os seus nomes. É essa a coisa certa a fazer.»
Trata-se de uma posição mais suave do que o apoio pessoal que Motsepe deu em julho, quando classificou Infantino como «leal a África» e afirmou que não apunhalaria pelas costas um amigo leal.
Os 54 votos de África, um a um
O Congresso da FIFA tem 211 associações membros, e cada uma deposita o seu próprio voto. As confederações podem fazer pressão e recomendar, mas não controlam a forma como os seus membros votam. As 54 associações africanas são o maior grupo continental, mas são 54 votos individuais, e não um bloco que a CAF entregue.
Essa distinção passa agora a ter importância. Os membros da UEFA votaram pelo boicote às competições da FIFA caso Infantino avançasse com planos para vender os direitos comerciais do Mundial a investidores privados, e mantiveram a ameaça mesmo depois de ele ter retirado a proposta no início de agosto. O presidente da FIFA pediu desculpas pelo processo, mas não abandonou o projeto mais amplo.
O 77.º Congresso da FIFA está marcado para 18 de março de 2027, em Rabat. Até lá, «unânime» é uma alegação, e não uma contagem de votos.
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