Donald Trump recebeu uma das perguntas mais antigas do basquete. Sua resposta, porém, rapidamente deixou o esporte em segundo plano. Quando um jornalista convidou o presidente dos Estados Unidos a escolher entre Michael Jordan e LeBron James como o maior jogador de todos os tempos, Trump apoiou o homem que considera um amigo pessoal antes de fazer uma insinuação sem provas contra o maior pontuador da história da NBA.
“Acho que LeBron talvez seja racista”, declarou Trump durante a aparição no Salão Oval em 24 de julho. As imagens publicadas pela Casa Branca mostram que o presidente não apresentou nenhum exemplo ou evidência para fundamentar a declaração. Em vez disso, ele pareceu relacionar diretamente sua opinião sobre James aos anos de oposição política do jogador.
Trump transforma o debate sobre o GOAT em um teste de lealdade
A conversa começou quando Peter Doocy, correspondente da Fox News, mencionou a decisão de James de se transferir para o Philadelphia 76ers e perguntou a Trump se ele considerava Jordan ou LeBron o maior jogador da história. O presidente explicou que Jordan era seu amigo e que os dois já haviam jogado golfe juntos, mas não comparou os títulos, prêmios individuais, estatísticas ou a influência dos dois sobre o basquete.
Trump então questionou se James era racista ou se simplesmente não gostava dele. Ele encerrou a resposta afirmando: “Eu só gosto de pessoas que gostam de mim.” A conversa completa foi posteriormente noticiada pela Reuters, que lembrou que James apoiou os candidatos democratas que enfrentaram Trump nas eleições presidenciais de 2016, 2020 e 2024.
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Não existe nada de incomum em escolher Jordan no debate sobre o maior jogador de todos os tempos. O ídolo do Chicago Bulls conquistou seis títulos, seis prêmios de MVP das Finais e cinco troféus de MVP da temporada regular. James soma quatro títulos e quatro MVPs, além de uma longevidade sem precedentes, dez participações nas Finais e o recorde de pontos da NBA. O aspecto incomum da resposta de Trump foi o fato de nenhum desses argumentos esportivos aparentemente ter influenciado sua escolha.
O ataque coincidiu com a última missão de LeBron
Trump fez o comentário poucas horas depois de James anunciar uma das decisões mais importantes de sua carreira. Depois de considerar a aposentadoria e confirmar que sua passagem pelo Los Angeles Lakers havia terminado, o jogador de 41 anos escolheu Philadelphia para disputar uma 24ª temporada que ampliará seu próprio recorde na NBA.
De acordo com o comunicado oficial da NBA, a transferência tornou-se oficial em 26 de julho. James explicou que acreditou que sua carreira poderia ter chegado ao fim quando a temporada anterior terminou. No entanto, decidiu que ainda estava disposto a trabalhar, fazer sacrifícios e competir por outro campeonato. “Eu ainda amo verdadeiramente este jogo e tenho mais a oferecer”, escreveu.
James fará parte de um elenco que inclui Joel Embiid, Tyrese Maxey e Jaylen Brown. O 76ers não conquista a NBA desde 1983 e não disputa as Finais desde 2001, oferecendo ao veterano a oportunidade de encerrar outra longa espera. Em 2016, ele já havia conduzido Cleveland ao primeiro grande título profissional da cidade em 52 anos.
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O conflito começou há quase uma década
O ataque mais recente não surgiu de uma divergência isolada. James criticou Trump repetidamente e rejeitou a expectativa tradicional de que atletas deveriam permanecer afastados da política. A rivalidade tornou-se particularmente visível em setembro de 2017, quando Trump retirou o convite de Stephen Curry para visitar a Casa Branca depois que o astro do Golden State Warriors indicou que não pretendia comparecer.
James respondeu chamando Trump de “idiota” e argumentando que uma visita à Casa Branca era considerada uma honra até ele se tornar presidente. A CBS News documentou a discussão, ocorrida durante um confronto mais amplo entre Trump e atletas que protestavam contra a desigualdade racial e a violência policial.
A relação piorou novamente em 2018, quando James declarou à CNN que Trump utilizava o esporte para dividir os Estados Unidos. O presidente respondeu atacando a inteligência do jogador e do entrevistador Don Lemon. Ele encerrou a publicação com as palavras “Eu gosto do Mike”, em uma aparente referência a Jordan e ao eterno debate sobre o maior jogador da história.
A tentativa de colocar Jordan ao lado de Trump não gerou a resposta que o presidente possivelmente esperava. Conforme relatado pela CBS e pela Associated Press, Jordan apoiou publicamente LeBron: “Eu apoio LJ. Ele está fazendo um trabalho incrível por sua comunidade.” Jordan não apresentou uma resposta pública amplamente divulgada ao novo uso de seu nome por Trump.
A acusação de racismo inverte a crítica de LeBron
A insinuação de Trump ganha outra dimensão porque James já acusou o presidente de contribuir para divisões raciais e sociais. Antes da eleição de 2024, o jogador apoiou Kamala Harris e compartilhou um vídeo de campanha que combinava declarações de Trump com imagens de protestos pelos direitos civis e episódios de tensão racial.
James afirmou que o futuro de seus filhos e de sua família tornava a escolha evidente. O apoio, descrito pela People, alcançou milhões de visualizações e colocou um dos atletas mais influentes dos Estados Unidos contra Trump pela terceira campanha presidencial consecutiva.
Trump não explicou se aquele episódio influenciou sua nova acusação. Ele apenas sugeriu que James poderia ser racista antes de apresentar imediatamente uma explicação alternativa: talvez o astro simplesmente não gostasse dele. A formulação deixou a acusação sem fundamento, mas garantiu que ela se tornasse a principal manchete de uma aparição que originalmente não tinha relação com o jogador.
Stephen A. Smith oferece uma defesa inesperada
Uma das reações mais fortes partiu de Stephen A. Smith, comentarista da ESPN cuja relação com James se tornou cada vez mais hostil. Smith criticou repetidamente LeBron e seu filho Bronny, enquanto o jogador chegou a confrontar diretamente o apresentador à beira da quadra durante uma partida do Lakers em 2025. Smith posteriormente reconheceu que os dois não gostam um do outro.
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Apesar desse histórico, Smith defendeu James e classificou a acusação de Trump como “realmente repugnante”. Segundo o relato do The Hill sobre sua reação, o apresentador argumentou que a linguagem do presidente era divisiva e precisava ser contestada, independentemente de suas próprias diferenças com o quatro vezes campeão da NBA.
A reação foi significativa justamente por não ter vindo de um aliado natural de LeBron. Smith construiu uma parte considerável de sua carreira em torno de debates confrontadores e nunca demonstrou receio de criticar o jogador. A declaração de Trump, porém, ultrapassou uma linha que, na visão do comentarista, nada tinha a ver com uma avaliação legítima de James como atleta ou figura pública.
A resposta mais recente de LeBron acontece na quadra
James ainda não apresentou uma resposta direta amplamente divulgada ao comentário mais recente de Trump. Seu foco público permaneceu na preparação para a nova temporada e na construção de entrosamento dentro de uma equipe de Philadelphia profundamente reformulada. Esse silêncio impediu que a controvérsia se transformasse em outro confronto direto.
As imagens mais recentes surgiram em 4 de setembro, quando James apareceu treinando ao lado de Maxey e Brown. Conforme descrito pelo Bleacher Report, os três astros de Philadelphia trabalharam juntos na preparação para sua primeira temporada como companheiros de equipe.
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O vídeo não deve ser apresentado como uma resposta explícita a Trump porque James não estabeleceu qualquer relação entre os dois acontecimentos. Mesmo assim, o contraste chama atenção. Enquanto o presidente transformava novamente o nome do jogador em uma controvérsia política, LeBron se concentrava publicamente em sua última tentativa de conquistar um quinto título e provar que ainda pode influenciar a NBA aos 41 anos.
Os comentários recentes de Trump aumentam o contraste
As declarações mais recentes de Trump sobre outro ícone esportivo reforçam a impressão de que relações pessoais influenciam suas avaliações públicas. Em 2 de setembro, o presidente falou de maneira extremamente positiva sobre Tiger Woods depois que o golfista decidiu não contestar uma acusação de direção imprudente na Flórida e recebeu uma suspensão de cinco anos da carteira de motorista.
“Conheço Tiger muito bem. Ele é um grande cara”, afirmou Trump, descrevendo o resultado do processo como “muito justo”. Os comentários, citados pelo New York Post, foram acompanhados de compreensão pelos problemas físicos do golfista e do conselho de que ele deveria contratar um motorista no futuro.
Woods conhece Trump há vários anos e mantém um relacionamento com Vanessa Trump, ex-nora do presidente. As circunstâncias não são diretamente comparáveis ao conflito com LeBron, mas a diferença no tom é difícil de ignorar. Um ícone esportivo recebeu compreensão e elogios de um presidente que o conhece pessoalmente. O outro foi alvo de uma acusação sem provas após anos de oposição política.
A pergunta sobre basquete que Trump nunca respondeu
O debate entre Jordan e James permanece aberto porque não existe uma maneira universalmente aceita de resolvê-lo. O retrospecto perfeito de 6–0 de Jordan nas Finais e seu domínio com o Bulls continuam no centro de sua candidatura. Os defensores de James destacam o recorde de pontos, a longevidade, a versatilidade e a capacidade de conquistar títulos com três franquias diferentes.
Trump escolheu Jordan, mas nunca entrou verdadeiramente no debate. Sua explicação baseou-se em amizade, partidas de golfe e em qual dos dois jogadores gostava dele pessoalmente. A resposta revelou, portanto, muito mais sobre sua interpretação de lealdade do que sobre seu conhecimento da história do basquete.
Existe ainda uma ironia não resolvida no uso de Jordan como parte de um ataque contra James. Quando Trump tentou a mesma comparação em 2018, Jordan apoiou publicamente LeBron. A menos que escolha uma posição diferente desta vez, o jogador apresentado como o aliado esportivo preferido do presidente já deixou sua opinião clara anteriormente.
James, enquanto isso, prepara-se para o que descreveu como a última grande decisão de sua carreira. Seus novos companheiros já treinam ao seu lado, Philadelphia se prepara para disputar o título e o jogador mais velho em atividade na NBA caminha para outra temporada histórica. A acusação de Trump permanece sem resposta, mas também continua sem provas.



