Há mais de uma década que Abu Dhabi utiliza o Manchester City como o seu outdoor mais visível no palco global, um superclube da Premier League financiado pela família governante e apresentado como prova de que o emirado podia vencer pelo mérito na competição mais vista do Ocidente. Uma decisão anunciada na sexta-feira virou essa narrativa do avesso.
Uma comissão independente deu como provadas 114 das 115 acusações de violação das regras financeiras apresentadas pela Premier League contra o clube, que abrangem alegadas receitas de patrocínio inflacionadas, pagamentos ao treinador não registados e falta de cooperação com os investigadores entre 2009 e 2018. O City prepara um recurso.
O clube é propriedade do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos e irmão do presidente do país, que comprou o City em 2008 e gastou uma quantia estimada em 2,85 mil milhões de dólares em jogadores na última década.
Al Mubarak: «nada mudou»
O presidente Khaldoon Al Mubarak, que também lidera o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala Investment, publicou uma carta aos adeptos no dia seguinte à decisão.
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«O processo da Premier League ainda tem um longo caminho a percorrer e a nossa confiança e determinação em provar a inocência do clube são tão fortes como no início», escreveu.
«Embora algumas pessoas tenham sido rápidas a tirar as suas próprias conclusões e haja tanto ruído à nossa volta, nada mudou.»
Al Mubarak acrescentou que a confidencialidade legal o impedia de explicar a defesa do clube em maior detalhe, e disse que até a própria carta tinha sido revista por advogados antes de ser divulgada.
Por que razão Whitehall está nervoso
O incómodo político vai muito além de um processo desportivo. O comércio total de bens e serviços entre o Reino Unido e os Emirados Árabes Unidos ascendeu a 25 mil milhões de libras nos quatro trimestres até ao final de 2025, e Abu Dhabi comprometeu dezenas de milhares de milhões de libras adicionais em investimento no país através de uma parceria soberana coordenada, do lado emiradense, pelo próprio Al Mubarak.
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Semanas antes da decisão, a Bloomberg noticiou que responsáveis dos Emirados tinham alertado em privado que um veredicto duro contra o City poderia prejudicar as relações bilaterais e ameaçar milhares de milhões de dólares de investimento emiradense já comprometidos com o Reino Unido.
O primeiro-ministro Andy Burnham, que representa um círculo eleitoral da Grande Manchester e foi presidente da região antes de chegar a Downing Street em julho, tem descrito repetidamente Abu Dhabi como um dos parceiros comerciais mais importantes do Reino Unido. Sobre o próprio veredicto, apelou à prudência enquanto o recurso decorre.
Nandy: «guardiões, não proprietários»
A posição oficial mais dura até agora veio da ministra da Cultura, Lisa Nandy, que manteve a pasta quando Burnham formou o governo e cujo círculo eleitoral de Wigan faz fronteira com o do próprio primeiro-ministro.
«Vocês são guardiões do clube e têm a responsabilidade… de entregar o desporto em melhor forma», disse Nandy à BBC Radio 4 no sábado, numa mensagem dirigida aos proprietários estrangeiros dos clubes ingleses.
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Invocou também a sua própria equipa local, o Wigan Athletic, que foi empurrado para a administração de insolvência em 2020 depois de uma aquisição por investidores de Hong Kong ter fracassado em poucas semanas.
«Protegemos os clubes do tipo de inferno pelo qual o meu próprio clube teve de passar, o Wigan Athletic, e já agimos nesse sentido.»
Nandy afirmou que os adeptos de futebol em todo o país precisavam de ver «que as regras são aplicadas de forma justa e consistente», e pressionou a Premier League a encerrar o caso rapidamente.
Recurso, depois sanções
Ambas as partes têm 14 dias para interpor recurso a partir do momento em que a decisão do painel for formalmente notificada, e o do City é tratado por toda a cobertura mediática como uma certeza. A instância de recurso será composta por membros distintos dos três da comissão que decidiu na semana passada. Só depois de esse processo terminar é que a Premier League determinará as sanções, que, ao abrigo dos seus regulamentos, podem ir desde multas e dedução de pontos até à expulsão.
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Fontes: – [Next United Kingdom general election – Wikipedia](https://en.wikipedia.org/wiki/Next_United_Kingdom_general_election) – [Manchester City Receives Verdict on 115 Premier League Charges | beIN SPORTS](https://www.beinsports.com/en-us/soccer/premier-league/articles/manchester-city-receives-verdict-on-115-premier-league-charges-2026-09-25) – [Lisa Nandy Remains Culture Secretary – Deadline](https://deadline.com/2026/07/uk-culture-secretary-lisa-nandy-andy-burnham-1236998244/) – [Wigan Athletic enters administration after Hong Kong takeover | SportBusiness](https://www.sportbusiness.com/news/wigan-athletic-enters-administration-after-hong-kong-takeover/)
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